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7 Habilidades Essenciais do Analista de Negócios

Há exatos 7 anos o FAN era lançado. Muita coisa mudou desde então. Menos a essência da Análise de Negócios. Este artigo é uma pequena comemoração.

Visão do Todo

Em um mundo cada vez mais imediatista e cheio de gente focada¹ no próprio umbigo, é preciso alguém que veja o lá e o amanhã além do aqui e agora. O analista sabe que melhorias locais podem piorar o resultado global. Entende que mudanças, por melhores que sejam, sempre vão desagradar alguém. Ele precisa enxergar o todo.

Se vai chamar isso de análise de impacto ou gestão de mudanças não faz muita diferença. Mas a adição do Pensamento Sistêmico ao seu cinto de utilidades não é nada menos que fundamental.

Imparcialidade

Se o analista tomar partido – ficando sempre na defesa de uma das partes envolvidas – condena todo o seu trabalho. Empatia não significa apoio incondicional. O que deve nortear suas decisões e sugestões são os objetivos do negócio e de cada projeto. Nada além disso².

Pragmatismo

É natural, portanto, que o analista seja bastante pragmático. Se há um objetivo colocado e em dado momento acordado, é pra lá que ele vai. Se surgiu alguma discordância em relação ao objetivo, é ela que ele tenta entender e desfazer. Se não há um objetivo e ninguém sabe para onde vai, o analista pragmático briga pela sua definição. Se ele perder a briga, sai em busca de outra.

Saber Ouvir

Qualidade cada vez mais rara. Saber ouvir não é saber esperar a vez de falar. É prestar atenção e demonstrar respeito. É entender que cada vírgula, expressão corporal ou suspiro pode conter informação. Por isso o analista ouve com os olhos pregados em seu interlocutor e não em um bloco de anotações. Ele sabe que 75% das informações não estão nas palavras que são ditas. Seus olhos captam mais que os ouvidos. Seus olhos o ajudam a ouvir direito.

Modelagem

Quanto tempo você demora para entender o significado da seguinte definição: “superfície plana limitada por uma circunferência, cujos pontos são equidistantes do centro”?

Não importa, você teria sido bem mais rápido se eu tivesse simplesmente desenhado um círculo³. Nosso cérebro é melhor equipado para processar imagens do que palavras. É por isso que o analista rabisca e desenha o tempo todo. É por isso que a Modelagem de Negócios não pode ser um apêndice ou puxadinho no corpo de conhecimentos do analista de negócios. Se o nosso grande desafio é promover comunicações eficazes, saber modelar é imprescindível.

Síntese

O analista não se deixa enganar pela incompleta alcunha que recebeu. Ele não faz só exames e estudos. Sua análise não significa nada – não agrega valor algum – quando não é seguida da síntese. Pelo pai dos burros, síntese é a reunião de diversas partes diferentes em um todo coerente. Para o analista, na prática, significa colocar seu cérebro para trabalhar. Síntese não é resumo nem coletânea de melhores momentos. Síntese é criação. Se ela não ocorreu, então o cara tirou um pedido. E isso não tem nada a ver com análise (e síntese) de negócios.

Comprometimento

Que graça tem o trabalho que se encerra nas preliminares? E quão eficaz pode ser uma documentação – por bons modelos que contenha – se desacompanhada de seu autor? O papel ou qualquer meio mais moderno, digital, não consegue capturar todo o conhecimento adquirido e desenvolvido por um analista. É triste insistir nisso até hoje. Mas o analista só prova seu valor quando participa de cabo a rabo de qualquer iniciativa ou projeto. Sua disponibilidade para quem está criando a solução significa conhecimento transferido em tempo real via banda larga. Sua participação nos testes significa qualidade. E quem melhor do que ele para preparar o ambiente que receberá as mudanças? Enfim, o analista termina o que começou. Mais que isso: se compromete com a qualidade da entrega. Ciente de que cada entrega causa novos desarranjos e mais oportunidades de aprendizado e melhoria.

Conta de Mentiroso

Aqui no interior de Minas se diz que 7 é conta de mentiroso. Por isso preciso citar uma oitava habilidade essencial: o analista de negócios gosta de gente. Ele é um animal social e incorpora todas aquelas qualidades que costumamos chamar de “habilidades sociais”. Ficou por último mas, dentre todas listadas acima, esta é a habilidade mais importante que um analista de negócios precisa mostrar. Gostar de gente é seu ponto de partida.

Há exatos 7 anos o FAN era lançado. Muita coisa mudou desde então. Menos a essência da Análise de Negócios. Este artigo é uma pequena comemoração.

Notas

  1. Só utilizei o termo focada porque a intenção era ilustrar algo ridículo. Metacrítica?
  2. Mas, se você quiser ou precisar, inclua aqui ética, honestidade e outras questões morais.
  3. Exercício proposto por Penny Pullan e Vanessa Randle em Business Analysis and Leadership (Kogan Page, 2013).
  4. Seven about to happen three different ways, de John Watson, ilustra este artigo.
Comentários 10
  1. fantástico Paulo. Como sempre, estou aprendendo sempre que leio/escuto você. E mesmo quando é um assunto recorrente, algo novo surge na mente.
    abraço!

  2. Paulo,

    Se síntese é a reunião de diversas partes diferentes em um todo coerente, você acabou de fazer uma bela síntese de habilidades essenciais.

    Olhei o último material do FAN que tenho e embora esta lista esteja lá (página 24), senti falta dela estar mais explícita. Pode ser uma sugestão.

    E também vi que o conhecimento do negócio em que vai atuar também apareceu no material. Tenho visto uma preferência do mercado por analistas de negócio bem verticais, profundos conhecedores do segmento do negócio em que atuarão.

    você entende que esta verticalização é uma tendência ou apenas resultado da falta entendimento das empresas do que é Análise de negócio de fato?

    Um abraço,

    1. Oi Jean,

      Qual é a versão ou data de seu último material? Vivo reciclando e mudando este e demais tópicos. A lista que apresento aqui é, de certa forma, inédita. Pelo menos no formato.

      Sinceramente, ainda não percebi aqui no Brasil a verticalização que você cita. Talvez eu esteja pouco atento. Se ela está acontecendo, é bom sinal. lá fora, há tempo, já é assim. É bom sinal porque conhecimento do negócio (ou de determinado ramo de atividades) é algo mais demorado de adquirir. E ele não virá de eventos como o FAN.

      só acho mais difícil que empresas prestadoras de serviços de desenvolvimento exijam tal especialização. Geralmente elas querem analistas mais versáteis e ágeis. Porque atuam em diversos segmentos. De qualquer maneira, preciso prestar um pouco mais de atenção nesse tipo de movimentação.

      Muito obrigado pela participação. Abraços!

      1. Paulo,

        Olhando posições em aberto nos últimos meses, percebi que até mesmo consultorias de TI estão buscando profissionais mais verticais, especialmente quando estão contratando para algum segmento específico onde já existe projeto.

        Nas outras empresas cujo fim não sejam serviços de TI, conhecer o negócio vem aparecendo como requisito essencial.

        E concordo que é um bom sinal e um caminho para vermos os analistas de negócio fora de TI.

        abraço

        1. Oi Jean,

          Que boa notícia. Fiquei curioso: como as empresas estão confirmando esse conhecimento? E qual o peso dele comparado com as habilidades técnicas, sociais e essenciais? Ou seja, como se dá o processo de seleção? Será que o assunto merece um artigo?

          Obrigado pela participação. Abraços!

  3. Paulo, como troquei recententemente de emprego, espero começar a debater com voce sobre sua visão impar de Negócios. Revendo seus posts pude perceber o quanto perdi nessa minha sumida do teu portal. Aproveitando, desculpe de voce ja falou no assunto, mas vi um livro em português do Dan Roan chamado “Desenhando Negócios:Como desenvolver idéias com o pensamento visual e vencer nos Negócios”.
    Voce leu, recomenda?

    Vindo a Blumenau ou região não esquece (se possível) de avisar

    grande abraço

      1. Meu novo desafio será em órgão público e terei o maior desafio na minha carreira acredito, por isso sempre tentarei ter uma visão “pública” da analise de Negócios, que não deveria ser diferente, mas com certeza tem outros stakeholders em relação ao setor privado.

        Em relação a resenha, puxa, como estou defasado…. Mas ja adquiri alguns livros da trilha e espero compila-los em tempo.

        abs

  4. Achei excelente essa definição sobre BA:

    “Sua disponibilidade para quem está criando a solução significa conhecimento transferido em tempo real via banda larga”

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