260 Dias de Solidão

Muito tempo se passou desde o último post. Em eventos, botecos e contatos virtuais tentei responder a variações da mesma pergunta: “você parou de escrever?” Não, não parei. Mas em cada ocasião dei respostas diferentes. Porque não tinha uma razão clara para a interrupção dos escritos. Acho que agora tenho. E não é apenas uma.

O finito completará dez anos de “vida” no próximo dia 17 de maio. É muita idade para um blog? Parece que sim. Uma pesquisa rápida me mostrou que 70% dos blogs que acompanho não são atualizados há mais de dois anos. Também deixei pelo caminho quatro blogs. Não é questão de “fogo de palha”. Não apenas. Acontece que algumas missões e propostas perdem o sentido depois de certo tempo. Seria o caso do finito?

Definitivamente, não. Mas a data (a comemoração dos dez anos) e a consciência da exceção (poucos blogs chegam até aqui) forçaram algumas reflexões. Faz sentido seguir entregando mais do mesmo? Artigos longos e séries intermináveis são bons provocadores de conversas? Quais temas alcançariam mais pessoas? Quais questões motivariam mais e melhores interações?

Antes de arriscar qualquer resposta, uma conclusão: preciso escrever melhor. Não posso me contentar com uma nota cinco. Passei boa parte dos últimos duzentos e sessenta dias estudando a Arte da Escrita. Estou viajando da gramática básica até trabalhos sobre estrutura, substância e estilo. Foi desconcertante descobrir como escrevo mal. Estou ciente de que tenho um longo e infinito caminho pela frente. Se já aprendi alguma coisa é que preciso praticar. Muito.

Porque todos os outros planos, pequenos ou grandiosos, dependem do aperfeiçoamento dessa habilidade que subestimo há tempo. O finito segue sua sina de ser “caixa de areia”. E eu seguirei contando com suas críticas e sugestões. Além da paciência, é claro.

A imagem acima é uma das ilustrações que o artista argentino Carybé fez para Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez. Minha humilde homenagem ao cara que colocou a América Latina no mapa da literatura mundial.

361 363 Paulo Vasconcellos
6 Comentários
  • Carlos Frattini

    Paulo, estava com saudades dos seus posts. você sabe que sempre acompanho seus artigos, com eles aprendo algo e fico com dúvidas ou curiosidades sobre outros pontos abordados. Isso incentiva o aprendizado e a nossa vontade de aprender mais.
    Entendo que a sua abordagem é ótima e clara, e melhorar nossa escrita é uma necessidade constante de todos nós, sempre temos algo que melhorar. não basta escrever regras e documentação o dia todo, estes serão interpretados por outras pessoas e precisamos passar adiante o conteúdo e com exatidão. Nem sempre consigo!
    Vida longa a finito.
    Abraços

    • Paulo Vasconcellos

      Pois é Carlos, todo trabalhador do conhecimento deve dominar bem a Arte da Escrita. Deveria… Mas a falta de domínio da língua é mais vergonhosa para quem se propõe a escrever publicamente. E pensar que já iniciei até um livro antes da ficha cair, tsc, tsc…

      Agradeço a força. Abraços!

  • Olá Paulo. Bom/mal, nota 0/10, não importa: aprecio muito suas ideias, reflexões e visão. Continue escrevendo enquanto for bom para vc… para mim, ler seus textos, vai ser bom sempre! A propósito, vc anda lendo Story de Robert McKee?

    • Paulo Vasconcellos

      Oi Silmara,

      Espero que continue sendo bom (escrever) por um bom tempo. Gosto disso. E você pegou nas entrelinhas: sim, estou lendo Story do Robert McKee. Sou viciado em cinema. Combinar o estudo da Arte da Escrita com o hobby/vício era tudo o que eu precisava nesta etapa dos estudos.

      Muito obrigado pela participação. Abraços!

  • Alberto Benites

    Paulo boa tarde !

    Fiz um FAN e virei fã da sua lábia que reflete sua escrita, que achei muito acima da média .

    Eu sou originário da área das exatas e migrei para as humanas e tenho como referenciais no estilo linguístico o Rubem Alves pela poeticidade, o Elio Gaspari pelos cortes de cinema e o Artur da távola pela clareza e lógica cartesiana.

    Eu sei que jamais vou ombrear com estes ícones que dei conta de identificar e admirar, mas sei também reconhecer um estilo característico, como o seu, que também tenho tido o prazer de ler e curtir .

    O feito é melhor que o perfeito.
    Continue nos brindando com irreverência e pancadas na cuca que tanto bem nos fazem para nos colocar em territórios desafiadores e criativos.

    Valeu !

    • Paulo Vasconcellos

      Oi Alberto,

      há dois dias tento responder seu comentário. não conseguirei passar do Muito Obrigado!! Ainda descobrirei uma forma de retribuir tamanho empurrão.

      Abraços!

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